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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Capas 6 - O antes e o agora - Eu, cidadão do mundo

   Conheça as duas versões de capas feitas para o livro Eu, cidadão do mundo. O livro conta a história de Ricardo, jovem convidado para coordenar as atividades do clube de uma pequena cidade. Tarefa que parecia simples, até ele descobrir o quão complexo é lidar com grupos de pessoas diferentes nas ideias, nos objetivos, nas atitudes. Ricardo descobre que conviver é difícil, liderar ainda mais, e tenta estabelecer entre todos um diálogo quase impossível.
   O clube estabelece um paralelo com a sociedade, um microcosmo daquilo que vivemos em escala maior: questões que envolvem liderança, decisões comuns para interesses nem sempre convergentes, mas sobretudo, que exigem relações pautadas pela ética e pelo respeito.
   Somos todos cidadãos do mundo e nele precisamos aprender a existir. Por isso, a primeira capa, de João Baptista da Costa Aguiar, inspirou-se num cenário cósmico no qual a palavra EU se insere como parte integrante. Já, Niky Venâncio criou a segunda capa, estampando a palavra EU sobre a representação do globo terrestre e a cercou de pegadas humanas: indivíduo, andarilho, em busca de si e do outro nesse vasto, vasto Mundo.   
   Duas interpertações para um mesmo texto que, ao falar sobre o Homem, permite inúmeras e ricas leituras.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Capas 5 - O antes e o agora - Tempos de viver

   O livro Tempos de Viver, lançado em 1999, também teve duas capas. A primeira delas, de autoria de João Baptista da Costa Aguiar, é um recorte da obra de Michelangelo, "A criação de Adão", célebre afresco pintado por volta de 1511 no teto da Capela Sistina.
   Como se sabe, a obra representa um episódio do livro Gênesis, no qual Deus cria o primeiro homem, Adão, e a cena retrata bem e de forma poética a temática do livro: o relacionamento entre pais e filhos.
   Em 2005, Tempos de viver  ganhou nova edição, com capa de Niky Venâncio, assumindo uma aparência mais leve, colorida e moderna que agradou aos jovens leitores. Roupagem nova muitas vezes necessária por razões de mercado, especialmente quando os livros abordam temas atemporais como este. Pais e filhos, relações que se transformam através dos tempos sem jamais perder a essência: a difícil arte de se relacionar com o maior dos afetos.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Capas 4 - O antes e o agora - Acorda! que a corda é bamba

      Qual o peso de uma capa para o sucesso de um livro? Qual a probabilidade de um leitor ser atraído ou não por um desenho, uma cor, uma ideia visual?
   O artista lê o texto e o interpreta. Ao interpretá-lo, dá a ele sua versão - sua leitura - e define traços e cores, se apossando do livro: enquanto leitor, enquanto artista criativo e criador.
   Mas outras coisas têm aí seu peso: o tema, a época - e paro por aqui porque a lista é extensa, mas são essas as questões que mais explicam o que vou contar.
   A primeira capa do livro Acorda! que a corda é bamba é do talentoso João Baptista da Costa Aguiar, que soube, com sua arte, dar ao livro o impacto que ele certamente provocava. A imagem desfocada de um grito, uma boca aberta simulando certo desespero em avisar algo importante e urgente.
Era o ano de 1998 e a temática das drogas começava a ser discutida um pouco mais abertamente  nas escolas. Portanto, o tema - drogas - naquela época - há mais de 15 anos -, exigia um alerta forte e legítimo, tal qual o João Baptista o concebeu. Assim foi feito e aprovado.
   Porém, parte do público, por uma série de razões também justificáveis, ainda temia que a questão fosse mal interpretada e sugeriu ao editor que a capa fosse "atenuada", sob pena de não poder adotá-lo. Como "atenuar" a interpretação de um capista? Se esta foi sua leitura e sensação, assim devia ser mantido. E assim foi feito. Mas, visando não afugentar leitores, a editora concordou em colocar uma tarja lateral que explicasse o grito: "um grito de alerta para as drogas". Tudo, assim, parecia resolvido.  Sim, é um grito - não de terror, não de horror ou pavor -, mas de alerta...  Nada além disso.
   Ah! querer burlar verdades, iludir o leitor jamais desavisado, não é tática que dê bons frutos. Afinal, quantos leitores não viam o assunto com um temor verdadeiro Mas a medida funcionou, já que o que o livro pretendia era conscientizar, discutir, de fato, alertar. E, com esta primeira capa - que muitos começaram a entender e a aprovar - o livro foi seguindo seu caminho até encontrar seu espaço.
   Anos depois, mais precisamente em 2005, durante a reformulação de catálogo e de uma série de títulos da editora Aquariana/DeLeitura, a artista Niky Venâncio criou uma nova capa. Na sua leitura, o grito dispensa a boca e se comunica através de uma explosão de cor. Um tom vermelho e uma fonte não padronizada "gritam" sobre um amarelo vivo, dando o mesmo necessário aviso: Acorda! que a corda é bamba. No subtítulo, a explicação mantida: sim, estamos falando sobre drogas.
   Pois o alerta continua sendo dado - por todos os meios e formas permitidos ,- o tema continua impactante, sério, importante... sempre um necessário grito!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Capas 3 - O antes e o agora - Um caso para Mister X


Um caso para Mister X, da Moderna,  é um livro simpático que nasceu de um projeto diferente, ainda no tempo em que eu colaborava regularmente com a Revista Alegria & Cia., da Editora Abril. Os temas trabalhados nas revistas definiam também a temática e o tom do conto publicado junto com brincadeiras, poesias e matérias bem interessantes que provocavam a reação dos leitores através de cartas, envios de desenhos e fotos. Na época, nem se imaginava o que viria a ser uma "internet". Como o tema do mês era "mistério", a editora me encomendou uma história que envolvesse a questão. Eu, mais do que falar sobre um mundo misterioso e sobrenatural, preferi falar sobre os mistérios que envolvem uma investigação policial, tipo Sherlock Holmes. Era a minha eterna mania de escrever sobre a realidade, o cotidiano, sobre as coisas que acontecem diante de nossos olhos sem que a gente perceba. Enfim, criei o personagem Mister X, um menino curioso, inteligente e atento, capaz de descobrir os responsáveis por tudo o que acontecia de estranho, sobretudo na escola, entre seus amigos e admiradores. Mister X - que recebeu o apelido por ter o nome de Xisto - desvendava tantos mistérios, que era chamado a cada fato novo. Depois, revelava aos amigos (e ao leitor), passo a passo, o seu raciocínio. Afinal, qual a sua estratégia? Mister X tinha várias, sobretudo as baseadas nos sentidos: tato, olfato, visão, audição, paladar. Assim, no final da história, em breves quadrinhos ilustrados, Mister X revelava ao leitor como e por que tinha chegado à solução de um caso. O personagem fez sucesso na revista e, atraindo a atenção da Editora Moderna, acabou virando livro e ganhando alguns episódios a mais. O personagem fez e faz sucesso. Além de inteligente, tem fôlego, e continua interessando leitores das novas gerações. Claro que, tendo vida longa, precisou ser revisitado, repaginado, ganhando novos traços, nova capa, novo formato. O tempo costuma exigir isso: mudanças. Mas, muitas vezes, essas mudanças não quebram o espírito daquilo que é duradouro como o livro (e como o próprio mistério) e, sem deixar morrer o primeiro desenho de Mister X, feito pelo ilustrador Edson Evangelista, nasceu uma outra figura, mais moderna e despojada, criada pelo brilhante Victor Tavares.   A primeira edição data de 1997. Mister X, hoje com seus 15 anos de idade, exigiu nova roupagem, para continuar contando casos para leitores de um novo século. É elementar...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Capas 2 - O antes e o agora - Papai não é perfeito

                                     
                                     Papai não é perfeito - Ed. FTD.
   Livro lançado no ano de 1994 que, por sua temática universal e atemporal, permanece vivo até hoje, sobretudo nas escolas, local onde a literatura é capaz de promover - para além da leitura - o despertar da consciência.
  
   Em tempos em que o respeito ao próximo parece fora de moda, em tempos em que a consciência dos direitos e deveres do cidadão precisam ser discutidos, apontados, questionados; falar sobre o deficiente físico é bastante pertinente. No caso, um pai portador de hemiplegia visto sob a perspectiva de seu filho pré-adolescente, durante a realização de um trabalho escolar. Pai herói é o título do trabalho, e Lucas se pergunta se é possível chamar de herói uma pessoa que vive seu dia a dia superando tantas limitações, enfrentando tantos obstáculos. Qual o exato conceito de herói, afinal?
   
   Bem, a resposta Lucas descobre (na verdade, já sabia, mas nem sempre via) convivendo com o pai, desvendando a sua história pessoal, seu passado, suas conquistas. Para saber mais, é preciso ler o livro. O pretexto aqui é mostrar como o tema e a discussão se mantêm vivos, gerando novas edições de um mesmo livro que, para atender o gosto de leitores de uma outra década, ganhou também nova roupagem: capa e diagramação. A primeira edição foi lindamente ilustrada por Roberto Weigand, com traços fortes, em preto e branco. A nova leitura vem no olhar, nos traços e cores de Ricardo Dantas. Dois artistas que se envolveram na trama e dialogaram com ela, valorizando o livro e a leitura.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Capas 1 - O antes e o agora - Barulhinhos do Silêncio

     Felizmente, alguns temas são comuns aos homens de todos os tempos e lugares. Digo felizmente, porque é esse elo que nos faz humanos, capazes de nos reconhecer no outro, sobretudo nas suas emoções. Sendo comuns e não datados, esses temas se mantêm no imaginário por séculos e percorrem distâncias  inimagináveis. Falo dos sentimentos, especialmente os expressos nos livros, melhor, nas artes, em todas elas. Falo, aqui,  do medo. Não do medo absurdo, enorme, assustador, mas daquele comum a todas as crianças, nascido da sua insegurança, da ignorância até, da necessidade de compreender o mundo, ainda que esse mundo esteja reduzido aos limites de um quarto escuro. Um medo aparentemente tolo mas que, na visão de uma criança, assume outras proporções. Falar sobre isso para as crianças - de ontem, de hoje, de amanhã - parece não apenas possível, mas também inevitável, a partir de histórias que contamos, recontamos, desenhamos, imaginamos, interpretamos... e, lá no futuro, relembramos. O tempo passa, mas a história, aquela história, ainda está ali, viva, presente.  
   Digo isso porque me dei conta de que o livro Barulhinhos do Silêncio já tem bem mais de 20 anos e eu ainda recebo mensagens de crianças que nele se reconhecem. Crianças que, ao longo desses anos todos, se identificam com o pequeno Hugo que, de noite, no escuro de seu quarto, se assusta com o ruído de uma torneira pingando. Sim, o mistério nos assusta... No caso, um pequeno mistério, num espaço urbano, num lar sem perigos, cercado por pais amorosos. Hugo descobre o mistério e afasta seu medo. Como seria bom se tudo fosse assim. Mas por causa de Hugo, de sua maioridade, dos temas que nos são comuns independentemente de tempos e distâncias, lembrei deste e de outros livros meus que acompanharam algumas gerações e decidi resgatar um pouco das suas trajetórias. Quero registrar aqui a história das histórias, as capas revisitadas, revistas, reformuladas sendo apresentadas às novas gerações.
   Hoje, seguem as capas da versão original dos "Barulhinhos", que atingiu a marca de mais de 40 edições e de sua reedição totalmente reformulada. Outras capas serão postadas aqui no blog, de outros livros que se mantiveram vivos e atuantes, merecendo edições reformuladas. Elas vão para quem os leu, os apresentou para seus filhos e, quem sabe, quantas gerações farão o mesmo.  
    Sentimentos, histórias e livros sobrevivem ao tempo. Por isso, acho que comecei dizendo: felizmente.