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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Leitura 18 - Se esta história fosse minha

                                                     "Se esta rua fosse minha
                                                       Eu mandava ladrilhar
                                                       Com pedrinhas de brilhante
                                                       Para o meu amor passar"
                                                            (Cantiga popular)

   Anos atrás, depois de uma visita a uma escola e de   um encontro enriquecedor com alunos, fui convidada pelos professores a participar de um café, uma pequena reunião. Eles estavam discutindo sobre a adoção de livros e indicação de leituras e comentaram sobre alguns problemas recorrentes nas escolas, difíceis de serem explicados a alunos de 9 a 12 anos.
- As questões éticas, por exemplo, são abstratas demais para que eles entendam - disse a professora Marta. - No entanto, elas estão no nosso dia a dia e em cada atitude que tomamos.
- E  não apenas dentro da escola. Os alunos trazem questões sobre a convivência em casa, nas relações com os amigos... - completou a coordenadora Célia.
- Ontem mesmo tivemos uma experiência assim assim - contou Pedro, o professor de Português. - Uma aluna perguntou se o correto é contar ou não contar para um adulto algo que descobre sobre o irmão ou um amigo e que ela acha estar errado. O que é mais certo fazer?
- A questão da delação é delicada - argumentei. - Mas, felizmente, esses temas filosóficos aparecem na literatura infantil. Em alguns casos, um bom livro ajuda a levantar discussões, até porque os fatos se referem a personagens. Fica mais fácil apontar falhas e acertos.
- Há um certo distanciamento... - ajudou Célia.
- Sim, concordo - disse Pedro. - Porém, embora em várias histórias infantis você encontre exemplos, essas questões mais sutis costumam aparecer em livros de mais fôlego, romances para leitores de  treze, quatorze anos. Eu acho que o momento que vivemos exige uma mudança de atitude. Os fatos praticamente impõem que certos conceitos sejam antecipados e abordados com alunos mais novos.
- De uma forma suave, imagino - retrucou, Marta.
- É - continuou Pedro. - Eu não diria suave, tem de ser clara, verdadeira, mas talvez em histórias mais curtas, dentro de um contexto que eles conheçam... - O que você acha, Sonia?

   Assim, a questão veio para mim e os diálogos foram se aprofundando, se delineando, graças à entusiasmada participação de todos. Afinal, todos sentiam a mesma necessidade e urgência: dar aos alunos ferramentas para maior compreensão de si, do outro, do mundo. Conscientizar, de modo a colaborar com a boa formação e atuação desses meninos num mundo nem sempre justo ou coerente.

   Surgiu ali mesmo um projeto. Do projeto, à coleta de histórias reais acontecidas em escolas ou em seu entorno - uma delas, inclusive, vivenciada por mim. Assim nasceu o livro  Se esta história fosse minha. Cinco histórias verídicas, envolvendo alunos, pais, professores, seres humanos que precisam admitir, corrigir e perdoar falhas assim como se comemoram acertos. Com sinceridade, os fatos foram narrados, trazendo à tona a emoção daqueles que as vivenciaram. Com o mesmo desejo de acertar, transformei as histórias vividas em textos romanceados, em diálogos que nos levam a refletir sobre nós mesmos, sobre a ética que deve permear as relações.

   Nossos temas escolhidos foram: Abuso de poder; Preconceito Racial; Delação; Corrupção; Mentira. Após os textos, criei um roteiro de discussão intitulado Papo Cabeça que é utilizado livremente pelo professor, com todas as variáveis que uma conversa em sala de aula possa apontar. E, depois da discussão orientada, há o convite para que os alunos escrevam, dando sua  opinião sobre o assunto. Daí o nome do livro: Se esta história fosse minha.

   Comumente criticamos, apontamos defeitos e falhas com uma facilidade digna de nota. Falamos mal da administração pública, da política, dos esportes, como se para tudo tivéssemos uma solução infalível. No entanto, se alguém indagar sobre o que faríamos a respeito, nossa aparente experiência simplesmente evapora. Na maioria das vezes, sabemos criticar, não apontar soluções.  Ao mesmo tempo, queremos, e queremos de verdade, acabar com as desigualdades e as injustiças.

   Se esta história fosse minha propõe que questões relevantes sobre cidadania sejam mostradas para os jovens leitores para que eles se conscientizem e, mais do que isso, pensem a respeito. Se esta história fosse minha não traz e não pede respostas certas. Pede apenas respeito e reflexão.

   Não à toa, o livro circula pelas escolas, levando sua contribuição. Não à toa, uma aluna chamada Lia me escreveu: Sonia, li seu livro e mostrei para o meu pai. Ele sempre quis me falar sobre preconceito e não sabia como fazer. Ele sente o preconceito, eu sinto, mas não falamos. Lemos juntos sua história e ele me ajudou a fazer a redação. Se a história Alma Branca fosse minha e eu fosse a Gabi, eu chamava a menina negra pra sentar comigo no ônibus.

   Ah, se esta rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar... inteirinha pra você, menina Lia.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Leitura 17 - Lançamento! - reencontrando amigos

   A ideia de manter um blog de divulgação de trabalho não é nova. Mais e mais profissionais vêm utilizando esse recurso para mostrar a sua arte, suas ideias, seus projetos e progressos. E é gratificante olhar as páginas de tantos profissionais que, com talento e dedicação (além de, invariavelmente, muito suor e trabalho), compartilham suas produções, gerando uma troca enriquecedora.

   Há uns poucos anos criei um blog pessoal, registrando livros, lançamentos e sucessos, bem como trabalhos de ilustradores fantásticos, alguma poesia, capas e temáticas relacionadas ao livro e à leitura. A ideia do blog é não apenas mostrar, como deixar um espaço aberto para o diálogo, a troca de impressões, opiniões - tudo que acrescente, renove, estimule esta e outras artes.

   Agora retomo o espaço e os convido a me seguirem nessa jornada. Espero que, nessa atividade moderna de nos seguirmos mutuamente, novos diálogos surjam, brotem conversas produtivas, criativas e gostosas. Falo aqui do meu trabalho, mas quero conhecer o seu. Portanto, deixe registrado seu recado, sua trilha... De blog em blog - não à toa o nome rede -, vamos nos conhecendo mais e melhor.

   Então, para reinaugurar a conversa, nada melhor do que partilhar fotos de um momento especial, regado a livros e muitos amigos risonhos e amorosos, como sempre acontece (e assim deve ser) a cada lindo reencontro.

   Eis aqui meu novo blog. Abraços carinhosos a todos!

 










quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Leitura 15 - Dia dos pais

   O dia dos pais está chegando e motivando leituras sobre o tema, dentro e fora da escola. Longe de apenas idealizar a figura paterna como se cogitava fazer antigamente, a literatura mais e mais a humaniza e a revela na sua melhor forma, tão ambígua como todos os seres, oscilando entre força e fraqueza, malícia e pureza, certezas e dúvidas... Desta forma, o pequeno leitor  do seu pai se aproxima, com ele se identifica e, tentando compreender a sua verdade (com suas qualidades e defeitos), aprende a amá-lo tal como ele é.
   Vejamos aqui alguns livros que têm o pai como personagem central e o enfoque  trabalhado em cada um deles:
   Em Acampando com papai, o pai é divertido e distraído, bem distante dos padrões convencionais. Muito bem intencionado, ele leva os filhos para acampar no dia dos pais. É uma comemoração original, segundo ele: longe de casa (e da ajuda da mãe) e dos presentes repetidos e sem imaginação (como meias e lenços). Tempo ruim, pouca habilidade com barracas, culinária e afins fazem com que tudo dê errado.
   Em Meu dentinho, seu dentão, é o pai quem precisa ir ao dentista. Querendo incentivar o filho a não ter medo, faz com que ele assista a sua consulta que prevê a extração de um dente. Sim, pai também tem medo de dentista! O que não faz, necessariamente, que este medo seja herdado.
   Em Papai não é perfeito, a deficiência física do pai é analisada pelo filho para a realização de um trabalho escolar que associa a figura paterna a um herói.
   Em Tempos de Viver, a história é narrada também pelo pai, o que dá a um mesmo fato um outro ângulo, trazendo  contornos que a filha não vê, tão valiosos quanto às razões que ela aponta incisivamente.  
   Em Incríveis amigos, são os filhos que levam um assustado pai a um passeio na nave espacial, que, surpreendentemente, pousa no quintal.
   Enfim,  lendo sobre as características e reações de outras pessoas, sobretudo de pessoas próximas e queridas, o leitor vai aprendendo a respeitar as diferenças, enquanto também reconhece o seu próprio modo de ser. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Leitura 14 - A mulher na sociedade contemporânea


Na sociedade contemporânea...
"...Não mudou só o papel feminino, mas também como se entende o que é ser mulher, ou seja, a subjetividade do feminino. É o contexto de um mundo que se reinventa, onde entraram as mulheres, em número impressionantemente crescente, na educação superior, porta de acesso às profissões liberais. A partir desse momento, a mulher começa a aparecer de uma forma marcante no mercado de trabalho.
   Foram inegáveis os sinais de mudanças significativas, e até mesmo revolucionárias, nas expectativas das mulheres sobre elas mesmas e nas expectativas do mundo sobre o lugar delas na sociedade. Esses movimentos sociais levaram ao questionamento, em nossa sociedade capitalista, das relações de gênero, das oportunidades de trabalho para os diferentes sexos, da questão da sexualidade. ... A partir daí, a própria amplitude da nova consciência da feminilidade e seus interesses tornavam inadequadas as explicações simples em torno da mudança do papel da mulher na sociedade. A imagem da mulher, antes frágil e necessitada de proteção, atuando na intimidade e presa aos cuidados com a prole, ganha hoje outros contornos que fazem dela um ser em construção, querendo buscar no seu desenvolvimento o poder da realização de suas potencialidades ... Casar ou permanecer solteira (ou ambas as coisas, cada qual em seu momento), ter ou não ter filhos, abraçar uma profissão, são opções que não mais implicam escolher entre liberdade e sujeição, pois a mulher contemporânea cogita inventar o próprio destino de acordo com suas necessidades internas..."
Trecho da tese MULHER, TRABALHO E MATERNIDADE: UMA VISÃO CONTEMPORÂNEA, VERA MALUF Dra. em Psicologia Clínica/PUC/SP.

Em tempos de mudança de atitudes e comportamentos, em tempos de reorganização de papeis e, consequentemente de estruturas pessoais e familiares, em tempos de referências múltiplas e quase ausência de padrões, é importante ficarmos atentos aos novos apelos do ser feminino (e do ser masculino que, com a mulher, inevitavelmente também se modifica). Estudos como o da Dra. Vera - em breve, publicado em livro -, nos ajudam a entender essas mudanças e a conviver com elas.  E, em se tratando de uma seara pessoal e social, é inevitável que a Escola acompanhe essas mudanças e prepare seus alunos - meninos e meninas - para fazerem suas escolhas de vida dentro de uma nova realidade. Quem sou e quem quero ser?
Neste sentido, livros de ficção voltados para o jovem, caminham paralelamente aos estudos acadêmicos e retratam a realidade (ou ao menos parte dela), protagonizando a mulher e sua nova forma de atuação. É o que faz o livro Profissão Dona de Mim, da Editora FTD, ao revelar uma mulher em crise, deslocada num universo que não mais lhe faz sentido. Seus conflitos, partilhados com os filhos adolescentes, nos convidam a refletir sobre o que ocorre com o indivíduo quando a sociedade, por sinuosos caminhos, exige mudanças.

Assim o apresenta a Editora:
Profissão dona de mim - FTD Editora
Viver em família é complicado! Ainda mais quando a família entra em crise! E, pior ainda, quando quem está em crise não é um filho, mas a mãe. Como entender? Como ajudar? Como conviver com alguém que se descobre insatisfeita com a vida de dona de casa e quer mudar de qualquer jeito? Entre papos sérios e outros divertidos, a familia inteira se mobiliza para achar a solução! 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Leitura 13 - Dia Internacional da Literatura infantil - 02/abril

     Dia da Literatura Infantil, vontade de comemorar com um conto especial, o mais lindo e representativo entre tantos. Mas como selecionar apenas um? Talvez a melhor homenagem seja lembrar de um de seus responsáveis por gratas memórias de infancia de tantos de nós, adultos; de futuras lembranças dos pequenos que aí estão, e de outros que vêm chegando para desbravar este nosso mundo que é rico, enquanto muitas vezes tão difícil, que só o olhar da magia, do sonho e do encantamento nos faz tolerar. Vai aqui não apenas uma leitura, mas um pouco da história daquele que tanto fez pela Literatura, que teve a data de seu nascimento definida também como o marco inicial do que hoje entendemos por Literatura Infantil

Poeta e escritor dinamarquês / Hans Christian Andersen
02/04/1805, Odense, Dinamarca
04/08/1875, Copenhague, Dinamarca
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
[creditofoto]
                                           A infância pobre de Andersen influenciou marcadamente sua literatura

[creditofoto]     Hans Christian Andersen era filho de um sapateiro e sua família morava num único quarto. Apesar das dificuldades, ele aprendeu a ler desde muito cedo e adorava ouvir histórias.
     A infância pobre deu a Andersen a chance de conhecer os contrastes de sua sociedade, o que influenciou bastante as histórias infantis e adultas que viria a escrever. Em 1816, seu pai morreu e ele, com apenas 11 anos, precisou abandonar a escola, mas já demonstrava aptidão para o teatro e a literatura.
     Aos 14 anos, Andersen foi para Copenhague, onde conheceu o diretor do Teatro Real, Jonas Collin. Andersen trabalhou como ator e bailarino, além de escrever algumas peças. Em 1828, entrou na Universidade de Copenhague e já publicava diversos livros, mas só alcançou o reconhecimento internacional em 1835, quando lançou o romance "O Improvisador".
     Apesar de ter escrito romances adultos, livros de poesia e relatos de viagens, foram os contos infantis que tornaram Hans Christian Andersen famoso. Até então, eram raros livros voltados especificamente para crianças. Em suas histórias, Andersen buscava sempre passar padrões de comportamento que deveriam ser adotados pela sociedade, mostrando inclusive os confrontos entre poderosos e desprotegidos, fortes e fracos. Ele buscava demonstrar que todos os homens deveriam ter direitos iguais.
     Entre 1835 e 1842, Andersen lançou seis volumes de "Contos" para crianças. E continuou escrevendo contos infantis até 1872, chegando à marca de 156 histórias. No final de 1872, ficou muito doente e permaneceu com a saúde abalada até 4 de agosto de 1875, quando faleceu, em Copenhague.
     Graças à sua contribuição para a literatura para a infância e adolescência, a data de seu nascimento, 2 de abril, é hoje o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. Além disso, o mais importante prêmio internacional do gênero leva seu nome.  Anualmente, a International Board on Books for Young People (IBBY) oferece a Medalha Hans Christian Andersen para os maiores nomes da literatura infanto-juvenil. A primeira representante brasileira a ganhá-la foi Lygia Bojunga, em 1982.
     Entre os títulos mais divulgados da obra de Andersen encontram-se: "O patinho feio", "O soldadinho de chumbo", "A roupa nova do Imperador", "A pequena sereia" e "A Menina dos Fósforos". São textos que fazem parte do imaginário da maioria das crianças do mundo desde sua publicação até a atualidade, tendo sido adaptados para o cinema, o teatro, a televisão, o desenho animado etc.
Fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/hans-christian-andersen.jhtm

quinta-feira, 8 de março de 2012

Leitura 16 - "Ouvindo" livros

     Recebo uma carta carinhosa de uma leitora, aluna do Fundamental, que teve como indicação de leitura o meu livro "Um gosto de quero mais", da FTD. A primeira edição do livro é de 1994 e, na época, muito embora os professores sugerissem que temas como a gravidez precoce fossem abordados na literatura juvenil, a adoção era ainda um tanto controversa.  Quando os educadores sentiam que o momento era propício, muitas vezes, os pais se mostravam reticentes: "Por que atiçar a curiosidade dos alunos?" Uma preocupação compreensível, mas que, já se pressentia, por pouco tempo seria contornada.
     Aos poucos, o livro foi ganhando espaço, abrindo caminho junto a tantos outros títulos e temas, promovendo importantes discussões em salas de aula que, bem conduzidas, produzem resultados excelentes. Em 2001, o livro foi atualizado, ganhou nova capa, diagramação e fôlego e já se vão 20 anos de estrada. É ainda um livro jovem que fala ao leitor jovem com algum conhecimento de causa. E, ao falar, é ouvido. Sim, pois como bem dizia Bartolomeu Campos de Queiroz: "ler é também escutar". No intenso diálogo que se estabelece entre autor, texto e leitor, há uma troca única e exclusiva.
     Mas, voltando à carta da minha leitora (uma carta com caligrafia trêmula), ela assim começava: "Querida Sonia, graças ao seu livro deixei de fazer uma bobagem". Na sequência, ela me relatava seu amor adolescente, pleno de contradições - por ser maravilhoso, intenso e proibido - e da sua preocupação com a insistência de seu namorado em iniciar um relacionamento mais íntimo, já que o amor, o verdadeiro amor, tudo permite, tudo quer, tudo pode. Ela não deixou claro se a "bobagem" a que se referia era dar início à vida sexual ou se - já ultrapassada esta dúvida - era interromper uma gravidez não desejada.
     Para quem não conhece o livro, ele fala sobre as inquietações de uma adolescente chamada Cely diante da gravidez de sua melhor amiga, também adolescente, Darlene. Permeando a  narrativa com trechos do diário de Cely, descobrimos o que acontece em seu íntimo, o quanto de conflito e de incerteza a condição da amiga lhe provoca. Cely é a protagonista, mas quem está grávida é a outra, para que o leitor possa - em cumplicidade - partilhar medos e descobertas de Cely, que também se modifica, ainda que protegida por sua condição de espectadora: ela vive com Darlene uma história solidária e paralela cujas consequências não a atingem (não?).
     Cumplicidade foi o que levou minha leitora, possivelmente sem ter outra opção, a recorrer a mim: "graças ao seu livro deixei de fazer uma bobagem... "
     Por um bom tempo, até poder lhe responder com minha humilde condição de mãe, mulher - em algum canto de mim ainda adolescente - eu me detive na palavra bobagem. Bobagem sexo? Bobagem filho? Bobagem aborto? E escrevi com o cuidado e a delicadeza de quem tem em mãos um pássaro ferido. Hoje, porém, ouço a voz do grande escritor, e me dou conta da força contida no que escrevemos/dizemos.  E o que mais me  impressiona na carta da menina é: "graças ao seu livro..."

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Leitura 12 - Profissão dona de mim

Profissão dona de mim - FTD Editora

Viver em família é complicado! Ainda mais quando a família entra em crise! E, pior ainda, quando quem está em crise não é um filho, mas a mãe. Como entender? Como ajudar? Como conviver com alguém que se descobre insatisfeita com a vida de dona de casa e quer mudar de qualquer jeito? Entre papos sérios e outros divertidos, a familia inteira se mobiliza para achar a solução! 

trecho - pag.46-52
Conhecendo o diagnóstico.
Um dia a Simone entrou no apartamento comunicando:
- A Teca teve a maior discussão com a mãe dela, hoje. Disse que ela está uma chata.
- E o que é que nós temos a ver com isso? - logo fui cortando o papo dela.
- Nada. Só estou falando pra mamãe saber que não é só ela que anda chata, quer dizer, anda assim com problemas - a Simone logo corrigiu, pois a mamãe estava ouvindo tudo da cozinha. E ainda reforçou:
- Acho bom a mamãe saber que não é só ela que está passando por essa crise dos quarenta.
- Crise dos quarenta? - minha mãe apareceu na sala sem notar que eu e a Silvia estávamos prestes a agarrar o pescoço da Simone. - Quem disse para você que eu estou na crise dos quarenta, Simone?
- A Silvia - ela dedurou, achando que estava dando crédito para a irmã mais velha. - Ela descobriu rapidinho assim que nós contamos para ela sobre os seus chiliques.
- Chiliques! -  mamãe falou, pondo as mãos na cintura. - Ainda mais essa! Eu estou tendo chiliques!
Surpresa, ela sentou no braço do sofá, olhou bem para nós e perguntou:
- Vocês podem me explicar direitinho o que está acontecendo? Se entendi direito, vocês se reuniram para analisar os meus chiliques e a doutora Silvia já deu o seu diagnóstico: crise dos quarenta. Muito bom eu saber disso.
- Sabe o que é, mãe - a Silvia começou a explicar. - Nós ficamos preocupados com você. Você anda meio abatida, triste. Não foi isso, César? - ela perguntou, como quem pede socorro.
- Claro! Foi sem a menor maldade, mãe. só pensamos em ajudar - socorri.
- Pois então saibam de uma coisa - minha mãe falou. - O que eu tenho não é crise dos quarenta coisíssima nenhuma. Não estou me sentindo velha.
- Eu achei que era isso porque todas as pessoas da sua idade começam a se preocupar com uma porção de coisas que antes não perturbava - falou a Silvia. - Todo mundo comenta isso!
...
- Pode ser que mais tarde eu também venha a ter essa crise, não sei - minha mãe continuou. - Talvez também não seja fácil perceber que o físico está murchando, mas por enquanto eu ainda me sinto muito bem. O problema é outro, completamente diferente.
- Então explique, mãe - a Silvia pediu -, ou pelo menos tente, porque eu ainda não saquei direito.
- É difícil explicar - mamãe falou. - É assim como uma coisa que falta. Um buraco vazio. Como se eu não tivesse realizado nada esse tempo todo.
- Mas, mãe! Como não realizou nada? Você já fez tanta coisa! - a Silvia surpreendeu-se.
- Tanta coisa que eu não consigo apalpar - minha mãe retrucou. - Não existe nada concreto que eu possa dizer: "isso aqui foi feito por mim."
- Essa é muito boa! Nós fomos feitos por você - brincou a Simone. E podemos ser apalpados.
- Eu sei, querida - a mamãe esboçou um sorriso. - Esse lado está preenchido, realizado e não me arrependo de nada. Porém ficou um outro lado completamente inútil.
- Você quer dizer um lado profissional? - perguntei.
- Também, filho. Um lado onde você possa ver um resultado concreto. Um lado que te dê satisfação, orgulho. Algo que você tenha conquistado.
- Mas, mãe - falou Silvia -, me diz uma coisa: o que você conquista com o trabalho além de um pouco de dinheiro?
- Muita coisa, filha. O trabalho dá uma sensação de utilidade, de produção... Acho que é isso. Eu não me sinto produtiva.
...
Minha mãe continuou procurando a tal coisa que estava faltando e pareceu mais calma ou, pelo menos, fingiu estar. Uma vez ou outra conversava numa boa e parecia estar lendo bastante também. Ela tinha sacado que teria que se ajudar sozinha. Só mesmo ela poderia chegar à conclusão do que estava faltando. Mamãe só não percebia que, de um jeito ou de outro, esse assunto sempre vinha à baila. Até nas brincadeiras, nas frases irônicas que a gente diz quando está contrariado com alguèm. Sempre era dita alguma coisa como: "É só para isso que eu sirvo, mesmo"; "Ninguém respeita o meu espaço". Esse tal de espaço que todos aconselhavam a mamãe  a procurar e ela não encontrava. Tudo isso estava nos dando um tremendo trabalho.

  

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Leitura 11 - Meu destino sou eu

Meu destino sou eu
Editora FTD
Trecho - Capítulo X - pags. 35/36

Pai e filho se encontraram na porta de casa.
- Não tem ninguém - Pedro avisou. E eu estou sem a chave.
- Como não tem ninguém? - irritou-se o pai, já colocando a chave na porta. - Onde se enfiou a sua mãe?
- Deve estar na loja. Ela costuma chegar um pouco mais tarde - disse Pedro, consultando o relógio. - Você é que chegou cedo.
- É. Quis fazer uma surpresa e fui surpreendido - reclamou o pai, enquanto entrava e ia direto discar para a loja.
- Clara? Sara? Avisa a sua mãe que eu já estou em casa.
Júlio desligou o telefone, zangado. Nem sombra da satisfação estampada no rosto quando tudo corria conforme seus planos. Algo tinha saído da rota.
Após uns quinze minutos, depois de terem fechado a loja apressadas e descido ladeira abaixo praticamente correndo, Sara, Clara e Edna entraram em casa. Elas bem sabiam o quanto Júlio desaprovava a loja e os transtornos provocados por ela em sua vida.
- Oi, querido. - Edna foi logo beijar o seu rosto.
- Oi - respondeu ele, lacônico e recebendo indiferente também os beijos das filhas.
- Chegou cedo hoje! - comentou Edna, guardando a bolsa.
- E você, tarde - respondeu ele.
- Tarde? Mas este é o meu horário! - ela estranhou.
- Que horário? - disse ele. - Você fecha a loja na hora que quiser.
- Pois então - ela o enfrentou. - Esta é a hora que eu quero.
- Já vão começar... - Sara falou baixinho para Clara.
- Você sabe que destesto não te encontrar em casa quando chego, Edna - Júlio protestou.
- Então me arranje uma bola de cristal pra eu poder adivinhar quando você vai chegar mais cedo. Certo? Eu estava trabalhando, sabia? Tra-ba-lhan-do.
- Sem precisar - emendou Júlio.
- Você implica com o meu trabalho, Júlio. E, pior, só lembra de mim quando eu não estou  em casa. Sou notada pela ausência!
E, dizendo isso, Edna correu para o quarto e se trancou. Júlio pareceu não se importar. Esta cena era reprise de muitas outras. então, voltou-se para o filho.
- Campeão, já vi que não sai janta hoje. Quer ir comigo numa lanchonete?
- Acho que não, pai. Eu estou uma fera hoje.
- É mesmo? Então vamos juntos nos consolar. Você me conta o que aconteceu pelo caminho. Vem, campeão - insistiu Júlio.
Júlio passou o braço pelo ombro do filho e, voltando-se para Clara e Sara, que, mudas, assistiam a eterna discussão, disse:
- Vocês duas façam companhia para a sua mãe.
Logo em seguida, Sara e Clara puderam ouvir os dois conversando do outro lado da porta:
- E elas vão comer o quê, pai?
- Elas se viram na cozinha, campeão... São mulheres...
(cap. XI - pag. 39)
...
Pouco tempo depois, Júlio e Pedro voltaram.
Arrependido, Júlio chamou Edna para o quarto para conversar. Sara já sabia o fim da história. Tinha assistido a essa cena inúmeras vezes. Ele pediria desculpas, assumiria que tinha exagerado na sua reação, no seu ciúme, na sua sensação de posse, na sua autoridade. Edna, ainda aborrecida, o perdoaria, e os dias passariam tranquilos até que algo parecido acontecesse outra vez...
Naquela noite, Sara custou a pegar no sono. Ficou relembrando várias passagens da sua infância. Nelas, invariavelmente, seu pai aparecia como aquele que roubava dela e da irmã toda a possibilidade de voo, toda a sensação de liberdade, de ser capaz.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Leitura 10 - Acorda que a corda é bamba!

Acorda que a corda é bamba! - um grito de alerta para as drogas
Editora Aquariana / DeLeitura
Trecho: pags.77-79


...
    Lúcio improvisara um cachimbo para fumar a pedra. Tinha visto na revista. Uma latinha, uma tampinha qualquer, um canudo... Tão fácil! Depois, era botar a pedra, acender e pronto. Emoção forte nas pontas dos dedos. Liberdade, euforia. Devia ser melhor do que cheirar. Diziam que era mais forte.
    De repente, assustou-se com o barulho da porta:
- LÚCIO! ABRA ESTA PORTA! - era o pai, enérgico.
- Tô acordando, pai.
- Vem tomar café, Lúcio. Quero que você vá à praia com seus colegas hoje.
- Vai indo, pai. Depois eu vou.
- Abra esta porta. Quero falar com você.
- Me deixa quieto, pai. Eu vou depois. - Lúcio tentou ganhar tempo enquanto escondia o cachimbo debaixo das cobertas.
- Abra esta porta, filho! - o pai repetiu com a voz mais zangada.
   Lúcio abriu e voltou a atirar-se na cama. Preparou-se para o longo sermão.
- O que você está pretendendo com este comportamento arredio, filho? - o pai foi logo dizendo. - O que está pretendendo? Quer que todo mundo fique perguntando o que há com você? Quer chamar atenção?
- Claro que não, pai. Onte eu saí com eles.
- Durante uma hora, se tanto! - o pai lembrou. - Antes queria varar a noite com eles. Agora passa o dia trancado neste quarto. que raio de férias você está querendo ter? Quer me deixar maluco, Lúcio?
   Silêncio. Lúcio encolheu-se na cama e encarou o pai.
- Vá já tomar o seu café e vá para a praia conosco. Estou esperando - o pai ordenou.
- Vai indo na frente, pai. Eu vou logo atrás.
- Acho bom ir mesmo, Lúcio. Acho bom - Artur falou, afastando-se dali.
   Lúcio voltou a trancar a porta. Pretendia mesmo obedecer o pai para evitar encrencas maiores, no entanto não cabia em si de curiosidade. Abriu a gaveta de roupas e tateou em busca da pequena pedra. Pegou de mal jeito e ela caiu no chão. A inquietação inicial virou  desespero. Lúcio deitou-se no chão e rastejou sobre o tapete apalpando cada canto até encontrá-la. Segurou a pedra firme entre os dedos, alcançou o cachimbo por entre as cobertas da cama e o acendeu.
   Fumou a pedra repetindo os mesmos gestos vistos tantas e tantas vezes na televisão, nas revistas, nas ruas...
   Fechou os olhos e esperou que o mistério fosse desvendado, que o milagre acontecesse.
   Fumou a pedra com tragadas intermitentes e a cada inalação sentia o mundo inteiro vibrando intensamente dentro de si.
   O quarto virou paraíso, era o mundo medido em metros quadrados. Tudo estava sob seu único e exclusivo controle. Lúcio era feliz... Era incrível, indescritível, insuperável! ... Por que não te conheci antes, pedrinha? Por que não te busquei primeiro? Por que não me deixa feliz o tempo inteiro? 


(*)O livro foi matéria do programa “Imprensa e Comunicação em Debate”, Rádio Bandeirantes (AM).
A história tem base em fatos verídicos extraídos de cursos e pesquisas realizados  junto ao DENARC e a profissionais da área médica, especialistas em drogadependência, no tratamento e acompanhamento do usuário e de suas famílias. Ao propor duas alternativas de desfecho, o livro leva o leitor a considerar outras consequências possíveis, estabelecendo paralelos entre ficção e realidade.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Leitura 9 - Um gosto de quero mais

                              Trecho - pag. 25


Darlene revela uma paixão 
- Seus pais são uns amores! – comentou Darlene enquanto se enfiava sob as cobertas da bicama.
- Eu acho – respondi. – Sou suspeita, mas acho que eles são demais.
...
- ... Se eu falasse com meu pai do mesmo jeito que você, levava a maior bronca e até podia ganhar uns tapas. Meu pai é muito autoritário.
...
Imagine então se ele descobre... Não quero nem pensar.
- Descobre o quê? Conta... O quê?
- Você jura não contar pra ninguém?
- Pra que jurar, Darlene? Desembucha!
- Só se você jurar. Eu estou louca pra te contar, mas ninguém mais pode saber. Você jura?
- Ta legal. Juro, vai.
...
- Eu e o Beto... estamos namorando... Você nem desconfiava?
- UAU!!! Namorando de verdade? Nem desconfiava. Bom... vai... francamente, desconfiava, mas pensei que você não tivesse coragem. Conta, conta. Conta mais.
....
- ... Desde quando vocês estão namorando?
- Desde aquele passeio na escola, no planetário. Tem três semanas. No planetário, imagina, foi logo pegando na minha mão.
- E daí?
- E daí que eu vi estrelas...
- Novidade, Darlene! E você queria ver o que no planetário?
...
- Vocês já se beijaram?
- Já. Aí sim que o calafrio fica melhor...
- Como é? Conta! Fala tudo! – enquanto eu perguntava, ia me agitando toda. Acabei pulando pra a bicama da Darlene.
- É bom, uai! Como vou te explicar... é delicioso.
...
- Você já beijou, por acaso, Cely?
- Não. Mas basta o Carlos me encarar daquele jeito, olho no olho, e pronto. Já sinto um troço. Se eu ficar imaginando um beijo, então...
- Pois se ele te beijar de verdade, você vai multiplicar este troço por milhões de outros troços.
- Acho que eu desmaio! – Fiz a cena caindo para trás na cama.
- Eu morro! É incrível!
- Mas, Darlene! Me conta uma coisa. A que horas vocês namoram, se o teu pai não te dá uma folguinha?
...
- Nem brinca, menina. Às vezes eu fico pensando se meu coração dispara por causa do Beto ou por medo do meu pai chegar de repente...
- Ah! Só falta descobrir que seu calafrio é de medo. Morro de rir com seu grande namoro!
- Claro que não é, sua boba! Você tem é inveja porque não namora.
- Inveja, eu? Você é muito mais velha do que eu! Tem mesmo que namorar primeiro.
- Muito mais velha, não, sua despeitada. Só seis meses. Você bem que queria estar no meu lugar.
- Eu??? Você está maluca? Eu ia lá querer beijar aquele cara horrível?
Ele não é horrível. Se você olhar bem, até que ele é engraçadinho...
- Bom. Quem ama o feio...
- E o Carlos por acaso é bonito? Aquele espinhudo?
- Espinhudo? Ele só tem uma espinha, coitado! E ele é lindo com espinha e tudo.
- Na ponta do nariz? Tem coragem de dizer que com aquela espinha na ponta do nariz ele é bonito?
- Tenho. É e pronto. Assunto encerrado. Fica você com o seu magricela e não mexe com meu amado.
- Não falei que você ficou com ciúme? Por que não confessa? Vamos! Ficou toda nervosa...
- Nervosa uma ova! Estou é com sono. Chega de papo.
E, dizendo isso, apaguei a luz..

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Leitura 8 - Espelhos Partidos - um conto sem fadas (trecho).

       

Parte I - Capítulo 4.
 Naquela tarde, fomos a um parque num dos pontos mais altos da cidade, de onde se via uma paisagem linda. Poucas pessoas passavam por ali àquela hora da tarde, num dia de semana. O mundo continuava apressado e cheio de problemas, mas eu e meu amado estávamos ali, sentados na grama, pairando nas nuvens, acima de todos, trocando juras e fazendo planos.
-       - Um dia, nós vamos nos casar – ele disse, de repente.
-       - Julinho! – falei com o coração aos pulos. - A gente mal se conhece e você já está falando assim? Não sabemos nada um do outro!
-       - E precisa saber mais do que o que nós sentimos? 
-       - Mas assim você me assusta.
-       - Minha criança! – ele falou me abraçando. – Assustei você. Claro que não vamos nos casar agora, Flavinha. Mas, um dia, eu tenho certeza, você será a minha mulher.
       - Como pode ter tanta certeza? – perguntei, sentindo um misto de mágoa por ser chamada de criança e de alegria por ele cogitar que eu pudesse ser sua mulher.
-   Eu sinto isso, Flavinha. Aqui dentro – ele disse, pondo a minha mão sobre o seu  peito.
Nosso encontro foi mágico, inesquecível. Julinho era calmo e carinhoso. As horas passaram ligeiras e começava a escurecer quando ele se ofereceu para me levar para casa e embora eu não quisesse voltar, sorri para ele me sentindo a pessoa mais feliz sobre a face da Terra. O vento batia no meu rosto e a paisagem era um misto de rosa e azul, com o sol se pondo ao longe. Parecia uma pintura, um quadro, mas um quadro do qual a minha vida fazia parte. A minha e a dele, de mais ninguém.
                         Definitivamente, eu amava Julinho. Amava sua figura, seus gestos, sua roupa, seu carro, seu cheiro, o cheiro do seu carro, sua voz e tudo o que pudesse estar ligado a ele. Eu era capaz de amar os objetos que ele tocava, pois tudo, perto dele, assumia um poder transformador. Estava namorando o homem mais maravilhoso do mundo e as coisas só não eram mais perfeitas porque eu não podia sair contando isso para todos, aos berros, aos gritos, na maior euforia!
-      Chegamos, neném – ele falou, encostando o carro numa esquina cerca de duas quadras antes de chegarmos ao meu prédio.
-       Neném? – falei, sentida.
-       Não gosta?
-       Não.
-       Como prefere que eu chame você? Flávia, Flavinha?
-       Flavinha, como fez a tarde inteira – pedi.
-       Flavinha e Julinho? – ele falou,  rindo de mim.
-       Só se você quiser... – me apressei em não contrariá-lo, pois se ele me quisesse neném, neném eu seria.
-       Eu quero, Flavinha. É exatamente assim que eu quero.
                           E, dizendo isso, ele me puxou para perto  e me deu um beijo na boca como eu jamais tinha experimentado. Desci do carro vendo estrelas cintilantes e coloridas. Tudo o que eu queria naquele instante era que o tempo parasse para sempre, mas quando me voltei para dar adeus, o carro já tinha sumido.